O seu filho quer a sua atenção

As más condutas das crianças são, por vezes, formas de chamar a atenção dos pais, uma vez que qualquer criança prefere a atenção que lhes é dada por um comportamento inadequado do que a ausência de atenção. Se os pais observarem melhor as suas crianças, perceberão que grande parte da sua teimosia está relacionada com o seu crescimento e com o delimitar da sua individualidade e ideias próprias. Esta é uma fase importante para que desenvolva a sua própria autonomia e possa testar os seus limites.

Na tentativa de solucionar estes dilemas, diversas vezes surgem círculos viciosos de relacionamento entre os pais e a criança, difíceis de quebrar. Um comportamento negativo da criança gera uma resposta inadequada dos pais, seguindo-se um novo comportamento impróprio por parte da criança e uma nova resposta negativa dos pais.

Estes círculos são representativos de uma dificuldade por parte dos pais em lidar com as birras e com a teimosia da criança.

ENTÃO O QUE FAZER?

A coerência é a chave para a educação, quer na aplicação das regras, quer na sua própria conduta, não só no que transmite aos seus filhos como nos exemplos que lhes dá.

Mesmo que por vezes seja mais fácil para os pais ignorarem o comportamento indesejado, devem ter consciência de que estão a abrir um precedente e a ser incoerentes, confundindo assim a criança.

A criança irá aprender que poderá repetir o mesmo comportamento sem qualquer punição, o que tornará posteriormente mais difícil explicar-lhe o porquê de tal não ser permitido.

Isto não significa que não haja flexibilidade ou possibilidade de negociação, permitindo uma segunda oportunidade à criança, visto todos podermos errar.

No entanto, qualquer alteração à regra e sempre que o castigo anteriormente prometido não for igualmente aplicado, deve ficar bem claro o porquê e o seu cariz excepcional deve ser sublinhado. Estas questões são muito importantes, uma vez que, se não forem bem explicadas e compreendidas, poderão originar um enfraquecimento de todas as regras colocadas e uma crença por parte da criança de que, se insistir muito, consegue sempre o que quer.

Exemplos:
· Se a criança não deixa os pais conversarem com outras pessoas: pare um pouco a conversa e dê-lhe atenção ou deixe-a participar também;

· Se não quer ir para a cama: leia-lhe uma história ou negoceie com ela uma hora para ir para a cama (não compensa entrar em conflito por dez minutos);

· Se quer dormir na cama dos pais: nunca o deve permitir, fique um pouco com ela no quarto, leia-lhe uma história ou converse por alguns minutos;

· Se não aceita um não: explique-lhe o porquê do não, mantenha-se tranquila e ignore a birra, repetindo de vez em quando que já lhe explicou o porquê do “não”; o seu controlo ajudá-la-á a recuperar o dela;

· Se insiste em vestir uma roupa inadequada: separe duas ou três roupas possíveis e deixe que a criança escolha dentro dessas hipóteses aceitáveis;

· Se recusa tomar banho: faça do banho um momento divertido e tente perceber se há algo que a assuste, como a água ou o champô nos olhos ou na cara;

· Se diz palavrões: é importante que ao repreender a criança, lhe explique, que para além de ser feio, as palavras poderão magoar tanto quanto uma palmada. A criança repete o que ouve, logo será importante ter atenção e cuidado na linguagem utilizada na sua presença.

· Quando um parente próximo e muito ligado à criança morre, não se deve guardar segredo ou omitir-se o assunto. Deverá sim utilizar palavras adequadas à idade do seu filho mas evite dizer que a pessoa foi “viajar” ou que ficou a “dormir para sempre”. Pois, pode acontecer que a criança fique com medo de dormir ou convencer-se de que quem viaja, não volta mais. Será importante e muito útil recordar as coisas significativas e bonitas que a criança fazia com a pessoa que faleceu, assim como desmistificar eventual sentimento de culpa que a criança possa ter fantasiado, acabando por acontecer com bastante frequência.

· Quando a criança se apercebe de dificuldades financeiras em casa ou quando coloca questões sobre a sexualidade ou sobre outro assunto importante, os pais devem sempre dar uma resposta e não devem fugir do assunto. Contudo, não deverão antecipar questões que os filhos ainda não colocaram.

NA ESCOLA…
· Se ocorrerem perturbações ou alterações de comportamento na entrada do ensino obrigatório, será importante transmitir serenidade, segurança e optimismo à criança, criando um laço positivo e de continuidade com a escola, estando presente e disponível, contudo, sem excessos.

· Se o seu filho se recusa a ir à escola, fazendo birra, apresentando febre e vómitos, sintomas que desaparecem após saber que pode ficar em casa, estamos perante uma situação de fobia escolar. Os pais deverão transmitir segurança e firmeza à criança, articulando com a professora, evitando o deixar de ir à escola, que só agravará o problema. Devem sempre despedir-se, dizendo-lhe quando voltam para a ir buscar. Será de extrema importância que os pais cumpram com os horários com os quais se comprometem com a criança, avisando-a sempre que possível se surgir algum atraso, caso não seja possível, deverão explicar o motivo do mesmo.

· Não se surpreenda se o seu filho não quiser fazer os trabalhos de casa quando vem da escola e prefira brincar. O brincar é prioritário sobretudo até à altura do 1º ciclo e ele já teve uma série de horas com a atenção direccionada para as matérias escolares durante o dia. Opte por dar prioridade ao brincar, certificando-se de que mais tarde, fará os T.P.C.`s. Ao brincar, ele acaba por estar a desenvolver uma série de outras competências de extrema importância para o seu desenvolvimento enquanto indivíduo.

· Quando uma criança encara negativamente a escola, verificando-se situações de conflito com os colegas, pondo em causa o seu bem-estar, como proceder? Poderá dar exemplos de casos concretos e discutir com a criança diferentes possibilidades de resolver a situação, procurando que seja a própria a encontrar estratégias, evitando atitudes acusatórias e envolvendo simultaneamente os educadores. Assim, ao dar apoio, conversando com a criança, transmitindo algum conforto e segurança, aumentará o sentimento de confiança, passo essencial para lidar com as adversidades.

Helena Coelho

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