As crianças pobres do Brasil estão órfãs…

A maternidade é um dom, e com isso todos concordam. Quando uma mulher decide ser mãe de cinco filhos, alguns se espantam e acham a tarefa muito difícil de ser cumprida. Se esta mesma mulher decide ser um pouco mãe de toda e qualquer criança que passe por dificuldades, a maioria não entende. Com a médica Zilda Arns foi assim. Mesmo sendo viúva e mãe de cinco filhos, e com quase 50 anos de idade, Zilda aceitou o desafio de fundar e coordenar a Pastoral da Criança da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB. Sua proximidade com a igreja ia além do fato de ser irmã do Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns. E este detalhe, ou coincidência, não foi, em momento algum, critério de escolha para que ela estivesse à frente deste importante projeto da Igreja Católica no Brasil.
A médica pediatra e sanitarista já possuía nas veias vocacionadas de seus braços trabalhadores, a tenaz ligação com as carências e necessidades das crianças mais humildes e mais desassistidas deste país. Pois foi com este entendimento e com esta compreensão que aquela mãe de cinco filhos passou a ser vista como a mãe de milhares de brasileirinhos carentes espalhados pelo imenso território Brasileiro.
A receita da “Multimistura”, um composto alimentar que serve como complemento e auxilia nos casos mais severos de desnutrição e anemia, foi desenvolvida pela Pastoral da Criança sob a coordenação de Zilda Arns. Esta maneira simples de combater a desnutrição infantil ultrapassou fronteiras e se espalhou pelo mundo. A coordenadora da Pastoral da Criança viajou pelos cinco continentes dando palestras e ensinando voluntários e governantes de dezenas de países a atenderem suas crianças com serviços, atenção e amor.
Esta bandeira empunhada por Dona Zilda, a levou a ser indicada para o Prêmio Nobel da Paz. E isto não afetou em nada suas ações e seu comprometimento com as crianças do Brasil e do mundo que passavam fome. Uma guerreira no combate das desigualdades e das mazelas que, por vezes, ainda nos envergonham. A Pastoral da Criança perdeu sua fundadora, sua maior referência e sua maior divulgadora das boas obras possíveis. O céu ganhou uma alma santa. E nós, que aqui ficamos ganhamos a tarefa de, unidos, darmos continuidade ao trabalho desta mãe de tantos filhos.

Miki Breier

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