Violência no lar contra a criança

A violência doméstica contra a criança refere-se a uma gama de situações que envolvem a criança, desde a negligência
até os maus tratos de ordem física e de abuso sexual. A etiologia da violência familiar é multifatorial e sua compreensão
exige a observação das circunstâncias e do ambiente em que a criança vive. Esse tipo de violência é universal, envolve
meninos e meninas e refere-se a uma histórica violência contra a mulher nas relações conjugais. Este artigo, além de
apresentar conceitos básicos relativos ao tema, procura orientar procedimentos para a detecção do problema – tanto pela
anamnese como pelo exame físico, tecendo considerações também a respeito do diagnóstico e da denúncia – e chama a
atenção para um tipo de violência muitas vezes esquecida, a violência emocional.
O termo violência familiar engloba negligência e maus tratos com a criança e violência no casamento.
A etiologia multifatorial dos maus tratos contra a criança exige que se leve em consideração as circunstâncias
e o ambiente em que ela vive. Portanto, tantos os pontos fortes como os problemas individuais, os pontos de
apoio, os agentes causadores de estresse e as características da família e da vizinhança são pertinentes.
Nos EUA (1994), 3% dos pais declararam usar violência grave (soco, queimaduras, armas de fogo e
armas brancas) contra os seus filhos. Estudos sugerem que 1 em cada 3 meninas e 1 em cada 6 meninos
sofreram abusos sexuais (EUA). Quase três milhões de queixas de maus tratos contra crianças foram
registradas em 1993, metade por negligência. A pobreza está associada à violência familiar. A violência
contra a mulher é universal (25% dos casais americanos passam por episódios de violência conjugal). 75%
das mulheres maltratadas denunciam que seus filhos também o foram. O simples fato de testemunhar a
violência pode ser muito nocivo. Elas podem culpar-se por ser a causa da violência. Há uma grande tendência
para que a criança que foi testemunha de violência entre os pais de se tornar um homem que maltrate a
família.

Não existe uma causa única da violência contra a criança. O temperamento difícil da criança ou a falta
de firmeza dos pais pode aumentar os riscos de maus-tratos. A violência conjugal, o abandono do pai, a falta de apoio social, os agentes causadores de estresse, como bairros perigosos ou isolamento social, a aceitação
ampla da punição (castigo corporal) e o estimulo à violência nos filmes e na música, provocam situações de
risco para a criança.
Realizar perguntas relativas ao bem-estar dos pais, o sentimento deles em relação à criança, problemas
com a criança e como os pais lidam com eles, relacionamento conjugal, o envolvimento do pai na assistência
à criança, pontos de apoio e de tensão e mudanças recentes na vida familiar. É importante avaliar diretamente
a maneira como a criança percebe a sua situação e o seu bem-estar.
Perguntas a serem feitas para a criança:
– Como estão as coisas na escola, em casa, no bairro?
– Quem vive com você?
– Como é o seu relacionamento com as pessoas da sua casa?
– Que tipo de atividades você faz com elas?
– Existe algo que você gostaria de mudar?
– O que faz quando alguma coisa o incomoda?
– As pessoas brigam na sua casa? De que maneira? A respeito de quê?
Perguntas para os pais:
– Como vocês estão?
– Vocês se preocupam com __________?
– O que você faria se __________ o deixasse fora de si?
– Quem os ajuda com as crianças?
– Vocês têm tempo para se dedicarem a si mesmos?
– O que acham do bairro onde moram?
– Como era o seu relacionamento com o pai de __________?
– A violência e as drogas são problemas graves atualmente?
– Há algum tipo de violência ou desavença em casa?
– Alguém usa drogas em casa?
A observação direta dos pais da criança e do seu relacionamento pode revelar informações úteis. O pai
está preocupado com o bem estar do filho? A criança parece ter medo do pai e estar relutante em falar? O
relacionamento entre os familiares parece caloroso e tranqüilo ou há tensão e raiva? O pai bate na criança?
A anamnese e um exame profundo e cuidadoso são necessários, juntamente com a informação
psicossocial completa. Para se aprender mais sobre uma família é necessário ouvir com atenção e sugerir que
os pais contem histórias importantes (“Como foi a sua infância?” “Qual o seu objetivo como pai?”).
Consultas mais freqüentes podem ser marcadas. O apoio e aconselhamento adicionais podem incluir:
rever com os pais as circunstâncias difíceis que podem vir a acontecer; identificar os pontos fortes e esforços
dos pais; ajudar o pai a resolver problemas; permitir ou facilitar outros recursos e comunicar o seu interesse e
a sua disponibilidade para ajudar. Outros familiares importantes podem ser convidados a ajudar.
1) Indícios sugestivos: a mãe com um olho machucado, a criança com notas baixas na escola ou que
sofre de enurese.
2) As descobertas físicas sozinhas raramente indicam violência. Fazer anamnese cuidadosa das
circunstâncias que envolvem os sinais e sintomas para avaliar as explicações e a possível causa da violência.
3) A violência familiar não deve ser vista como diagnóstica, mas sim como sintoma de problemas
subjacentes.
4) Levar em consideração explicações alternativas.
Gilberto Pascolat

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